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A IA vertical e os mercados que o Venture Capital sempre achou pequenos demais

A IA vertical é uma oportunidade de startups deixarem de disputar o orçamento de software e passarem a brigar por a fatia muito maior gasta com o trabalho operacional. A lógica agora é a do "Service as a Software".
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A IA vertical e os mercados que o Venture Capital sempre achou pequenos demais
A IA vertical e os mercados que o Venture Capital sempre achou pequenos demais

Foto de Shane Aldendorff na Unsplash

No final da década de 2000, eu vivia uma pergunta para a qual eu nunca tinha resposta confortável: a Ciatech era uma empresa de tecnologia ou de serviço?

Tínhamos a plataforma LMS Atena, e ela era monetizada via SaaS. Mas o resultado financeiro mostrava que mais de 80% da receita vinha do desenvolvimento de conteúdo personalizado. Os heads de RH não queriam o conteúdo pasteurizado disponível no mercado, que era superficial e sem metodologia real. Queriam conteúdo sob medida, com rigor andragógico. E entregar isso exigia uma linha de produção alicerçada em pessoas: designers instrucionais, ilustradores, conteudistas, desenvolvedores multimídia. Quanto melhor o resultado comercial, mais pessoas eu precisava contratar. A receita crescia, mas o crescimento trazia custo na mesma proporção. Era, na essência, o modelo das software houses de hoje.

Havia algo, porém, que a Ciatech já defendia em seus materiais da época e que só hoje entendo como precoce: a ideia de que treinamento não deve ser medido pela ferramenta entregue, e sim pelo resultado de negócio que gera. Usávamos a escala de Kirkpatrick para insistir que o que importava era o Nível 4, o impacto na operação do cliente, não o curso publicado na plataforma. Estávamos, sem saber, descrevendo o princípio que hoje sustenta uma das tendências mais importantes de IA: o valor está no trabalho feito, não na ferramenta vendida. 

Em algum momento, tomamos uma decisão estratégica deliberada para escapar da armadilha de margem do serviço. Lançamos o Sapiência, licenciamento de conteúdo já produzido e assinado por grandes autores corporativos. Isso preservou nosso posicionamento de alta qualidade, sustentou a precificação e mudou a natureza da receita: saímos de mais de 80% em serviço para um equilíbrio de 50% licenciamento e 50% serviço. O impacto no bottom line foi imenso, chegamos a 35% de margem EBITDA numa empresa que ainda tinha metade da receita em serviço.

Conto isso porque a pergunta que me perseguia voltou, invertida, e agora define onde está uma das oportunidades em IA. Eu passei anos tentando sair do serviço para chegar à margem do produto. A nova geração de empresas de IA vertical faz o caminho oposto de propósito: sai do produto para dentro do serviço. E é exatamente isso que está destravando mercados que o Venture Capital sempre achou pequenos demais.

Marcelo Sato

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Marcelo Sato

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