Neste episódio do Astella Playbook, Daniel Chalfon conversa com Raphael Dyxklay, cofundador e presidente da Barte, sobre a construção de um time de alto nível, o processo de contratação de ponta a ponta e o impacto da inteligência artificial na forma como as empresas pensam talento.
Raphael tem uma trajetória improvável no ecossistema: cursou duas graduações em literatura ao mesmo tempo, aprendeu grego antigo e latim, foi pai ainda na faculdade e trabalhou como crítico cultural e tradutor antes de migrar para a tecnologia — segundo ele, o caminho para "ganhar dinheiro mais rápido" sem recomeçar do zero. Depois de uma primeira empresa em modelo bootstrap e de passagens por Creditas, Loft e Olist, fundou a Barte com o sócio Caetano Lacerda há cerca de quatro anos e meio.
O fio da conversa, porém, não é fintech — é gente. Raphael parte de uma provocação: o core business da Barte seria contratar pessoas impressionantes, e o serviço financeiro, quase uma consequência desse esforço. A partir daí, ele destrincha a filosofia interna da empresa, ancorada em pensamento independente e intensidade, e percorre o funil de contratação de ponta a ponta — do sourcing via construção de narrativa pública à semana de trabalho remunerada como etapa final do processo seletivo.
A conversa também passa pela nova frente de AI services da Barte, com engenheiros embarcados no time financeiro dos clientes, e pela forma como a inteligência artificial está levando a empresa a olhar para organizações não mais como conjuntos de pessoas, mas como conjuntos de habilidades. Na parte final, Raphael defende, na contramão de boa parte das startups enxutas, o valor de contratar no início de carreira, sob a tese de que pensamento crítico tem pouca relação com senioridade.
A gente precisava parar de olhar para empresas como conjunto de pessoas e começar a olhar para empresas como conjunto de habilidades.






