Foto de engin akyurt na Unsplash
Os dados recentes são conhecidos. O mercado de startups no Brasil encolheu e o equity de VC genuíno caiu ainda mais do que os números agregados sugerem, já que mais da metade do capital investido em startups veio via FIDCs e instrumentos de dívida, não de fundos de VC. Das startups que levantaram seed em 2021, apenas 8% chegaram à Série A. Para o cohort de 2022, esse número caiu para 3%. Cassio Azevedo tem documentado esses dados com rigor e precisão que merecem leitura.
Mas existe uma pergunta que os números não respondem: o que teria acontecido se VC não tivesse existido?
Não estou falando de retorno financeiro. Estou falando do mundo em que vivemos e das empresas que constroem esse mundo.
Uber, Airbnb, WhatsApp, OpenAI. Todas nasceram em momentos de pessimismo de mercado, financiadas por capital que acreditou no improvável antes de ele ser provável. A a16z documentou o padrão que se repete em todo grande ciclo tecnológico: a infraestrutura vem primeiro, e os maiores vencedores emergem na parte do ciclo que recebe menos atenção depois que o hype passa. No ciclo mobile, os maiores retornos levaram cinco anos para aparecer.
O Brasil não ficou de fora desse padrão. Posso falar com propriedade porque vivi dos dois lados dessa mesa.
Fundei a Ciatech em 1996, ainda na faculdade, e por vinte anos construímos uma empresa de educação corporativa que se tornou a gênese do UOL Educação. Se você teve alguma passagem corporativa em uma grande empresa de telecom, financeira, pharma ou varejo, entre outras, no Brasil, a chance de ter feito um treinamento na plataforma da Ciatech é grande. A Astella acreditou nessa tese antes de ela ser óbvia. Hoje, como sócio do fundo que apostou em nós, vejo esse padrão se repetir no portfólio.




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