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Diário de um VC: a origem do produto perfeito na era da IA

A IA mantém a essência do que é um bom produto, mas bagunça a forma de medir o que funciona.
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Diário de um VC: a origem do produto perfeito na era da IA
Diário de um VC: a origem do produto perfeito na era da IA

Foto de Nik na Unsplash

Em 2019 escrevi um texto chamado “Diário de um VC: a origem do produto perfeito”. A provocação começava com A Origem, de Christopher Nolan. No filme, Leonardo DiCaprio entra nos sonhos das pessoas para chegar àquilo que existe de mais profundo em suas mentes. 

Minha analogia era simples: entrar na cabeça dos clientes, compreender seus desejos e construir algo que se torne indispensável é também o sonho de qualquer grande gerente de produto.

Na época, propus cinco sinais para medir um grande produto:

  1. alcance, 
  2. profundidade, 
  3. tempo gasto, 
  4. eficiência e 
  5. amor.

Para analisar um produto, partíamos de uma pergunta quase física: o que está se vendendo é pasta de dente? Ou seja: estamos falando de algo que resolve um problema importante, não tem substitutos à altura e tem que ser usado com frequência?

Para descobrir, é preciso pensar nas respostas para algumas questões. O que eu sugiro:

  • Quantas pessoas usam? 
  • Com que frequência? 
  • Quanto tempo passam dentro do produto? 
  • Ele funciona? 
  • Elas recomendariam para alguém?

Sete anos depois, continuo acreditando na essência daquela tese, mas a IA bagunçou a maneira de medi-la. Talvez o melhor produto de IA seja justamente aquele no qual o usuário passa menos tempo.

O paradoxo do tempo gasto

Durante boa parte da história do software, uso e valor caminharam juntos. Mais usuários usando mais funcionalidades, com maior frequência e por mais tempo, normalmente significavam um produto melhor. Não por acaso, DAU, WAU, MAU, frequência, profundidade de uso e time spent tornaram-se parte do vocabulário básico de produto.

Mas imagine um agente de IA que faça em 30 segundos algo que antes exigia duas horas de trabalho. O time spent despenca e o valor explode. Ou um agente que nem sequer precise que eu abra sua interface. Ele recebe uma informação, consulta meus sistemas, toma uma ação e me chama apenas quando precisa de uma decisão. O engajamento visual pode tender a zero. Ainda assim, o produto pode estar fazendo cada vez mais parte da minha vida.

Essa inversão muda de forma fundamental para onde olhamos:talvez não devamos mais medir quanto tempo uma pessoa passa usando um produto, mas quanto trabalho ela confia ao produto.

Edson Rigonatti

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Edson Rigonatti

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