Foto: Matria/Divulgação
A saúde é um dos setores mais complexos e importantes do mundo, representando cerca de 10% do PIB global e movimentando trilhões de dólares anualmente. Ao mesmo tempo, é um dos mais subpenetrados tecnologicamente em processos digitais, investindo menos da metade em TI do que indústrias comparáveis.
À primeira vista pode parecer negligência, mas na prática é uma questão estrutural. O motivo pelo qual esse atraso existe é o primeiro passo para compreender por que a Matria nos empolgou.
O problema é a falta de contexto
As instituições de saúde utilizam diversos sistemas de gestão, como ERPs, prontuários eletrônicos, sistemas de laboratório e diagnóstico e plataformas de agendamento. O problema é que esses sistemas foram construídos nos anos 90 e 2000 com o propósito de armazenar registros e processar faturamento.
Cada sistema conhece um pedaço da jornada, mas nenhum conhece o paciente por inteiro.
Eles operam em silos, sem conversar entre si, sem gerar inteligência, incapazes de apoiar a tomada de decisão. Eles registram fatos, como “o paciente agendou um exame", mas são completamente cegos ao contexto: por que ele agendou, quando deveria retornar, ou se está em risco de abandono de tratamento.
Paradoxalmente, hospitais e clínicas acumulam décadas de dados clínicos e financeiros, mas não conseguem extrair inteligência operacional deles. Pacientes crônicos somem do radar, agendamentos se perdem em call centers sobrecarregados, e receita vaza todos os dias de forma imperceptível.
Os dados estáticos e fragmentados não têm utilidade para os agentes de IA. A raiz do problema está na infraestrutura de dados. De acordo com a pesquisa TIC Saúde, entre as instituições que ainda não utilizam IA de forma estruturada, quase metade apontam incompatibilidade com sistemas legados como principal barreira. Em segundo lugar, citam a fragmentação e qualidade dos dados.
Por que a Matria?
A Matria é uma empresa AI native que ataca o real gargalo da saúde, construindo a infraestrutura que se torna o sistema nervoso da instituição, com uma solução que conecta, processa e ativa os dados que o setor já possui, mas não consegue usar de verdade.
A plataforma parte de uma camada de dados que atinge o que os sistemas legados não conseguem: unificar as fontes fragmentadas dos hospitais e clínicas, e transformá-las em contexto acionável. É a transição de system of record para system of action, só possível com bases de dados dinâmicas e integradas.
Sobre essa fundação, uma força de trabalho de agentes de IA especializados opera com precisão clínica, cuidando da jornada do paciente de ponta a ponta, desde a identificação de lacunas de cuidado ao engajamento ativo, do agendamento ao acompanhamento pós-alta. O ciclo de receita e cuidado, que antes vazava em cada etapa, passa a ser fechado automaticamente dentro da rede.
Essa arquitetura transforma a Matria em uma infraestrutura de missão crítica, criando custos de trocas altos. A empresa passa a deter a inteligência estruturada da operação, se tornando o single source of truth de dados dos pacientes.
O time certo para o problema
A Marisa.Care é construída por quem vem de dentro. O founder e CEO da companhia, João Inecco é médico de formação, programador autodidata, e foi líder de inovação e dados em uma das maiores redes de saúde do país e CEO de grupo hospitalar. Ao seu redor, um time com a combinação robusta de profundidade clínica, músculo comercial e DNA de produto para executar nesse mercado.
Por que agora?
Nesse novo ciclo, três forças convergem para tornar esse o momento certo para a Matria:
- As capacidades de IA atingiram um ponto de inflexão. Modelos chegaram ao nível de maturidade necessário para construir e enriquecer agentes que raciocinam sobre relacionamentos complexos, entendem contexto clínico, e conseguem tomar ações significativas.
- A consolidação do mercado de sistemas legados criou uma janela de oportunidade. Os grandes fornecedores de ERPs e sistemas hospitalares carregam décadas de decisões técnicas moldadas por arquiteturas que não foram pensadas para inteligência, mas armazenamento. E sua evolução é um dilema, onde mudanças estruturais canibalizam o produto que sustenta a receita hoje.
- Instituições de saúde estão prontas para repensar operações centrais. A dor dos sistemas legados chegou a um ponto de ruptura. Gestores reconhecem que soluções pontuais ou aumento do headcount, não resolvem mais o problema.
Estamos entusiasmados em liderar esta rodada, com nossos co-investidores como Endeavor Scale Up Ventures, Floating Point e FluentVC, entre outros, realizando essa parceria com o João e toda a equipe da Matria, enquanto eles constroem a próxima geração de inteligência clínica e hospitalar.
Por trás da trajetória da empresa há uma história pessoal, uma homenagem à Marisa, avó do founder. Artista plástica, ela usou o dinheiro dos seus trabalhos para ajudar a financiar os estudos da família. Faleceu de câncer de mama após um diagnóstico tardio, pois sete meses sem fazer mamografia, e quando fez, o câncer já estava em estágio agressivo. "Isso aconteceu porque não houve uma avaliação do gap de cuidado e rastreio dela. Com a Matria queremos orquestrar tudo isso", conta João.
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