Foto de Suzanne D. Williams na Unsplash
Por quase três décadas, as plataformas de software mais bem sucedidas foram aquelas consideradas sinônimo de ferramenta. Os produtos ofereciam o acesso aos usuários e o valor percebido dependia da capacidade do cliente de operá-lo. O modelo de Software as a Service (SaaS) operou muito bem dentro dessa lógica: é um produto especializado, distribuído por assinatura, cobrado por assento e controlado pelo cliente, que era o único motor capaz de transformar instruções em resultados. Como o CRM, que registra o que o vendedor fez, ou o ERP, que controla o que o operador aprovou.
Com a maturação dos Large Language Models (LLMs), tornou-se viável automatizar o trabalho cognitivo e a tomada de decisão, e não mais apenas processos repetitivos e estruturados. Este salto tecnológico, combinado com a queda acelerada dos custos de inferência, impulsionou o desenvolvimento de um novo formato de software. E ele não só vende o acesso ao instrumento, mas entrega a ação e seus resultados. A pergunta deixa de ser "qual ferramenta você quer usar?" e passa a ser "qual trabalho você quer que seja feito?". Com isso, uma parte crescente de aplicações de SaaS pode se tornar um intermediário desnecessário entre o problema e a solução.
A Astella, como uma gestora que tem participado ativamente das últimas ondas, entende que os sinais desta inflexão são inegáveis. Um deles é estrutural: é estimado que a indústria de inteligência artificial precise gerar em torno de 600 bilhões de dólares em receita para sustentar o custo de infraestrutura atual. Esse indicador aponta para o novo momento em que o ciclo se encontra: uma fase de consolidação, em que a dúvida central é como capturar o valor que esta nova tecnologia pode gerar.













