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Preço de entrada é a única variável que você controla

Sobre os recordes de seed no Brasil e o que eles exigem do outro lado da década
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Preço de entrada é a única variável que você controla
Preço de entrada é a única variável que você controla

Em meados de 2013, uma empresa brasileira sem produto no ar levantou US$ 2 milhões de seed. Sequoia (que fazia, então, sua primeira operação no país) e Kaszek foram os investidores. Em dezembro de 2021, essa empresa abriu capital em Nova York valendo US$ 41,7 bilhões, mais que o Itaú Unibanco naquele dia.

Guarde os dois números: US$ 2 milhões de entrada, US$ 41,7 bilhões de saída.

Agora o presente. Em maio deste ano a Pax anunciou US$ 40 milhões de seed. Três meses depois, a Decade anunciou US$ 85 milhões, o maior seed já feito por uma empresa latino-americana. Time enxuto, produto em beta, rodada captada em setembro de 2025 e anunciada onze meses depois. Os fundadores são o ex-CTO do Nubank e o primeiro brasileiro do Thiel Fellowship, que vendeu a empresa anterior para o próprio Nubank. É provavelmente a dupla com maior probabilidade a priori, no Brasil, de repetir aquele playbook.

Não tenho fundamentos para dizer se o preço está caro ou barato. E muito provavelmente quem diz que sabe está adivinhando. No entanto, há uma questão aritmética que podemos inferir.

O seed do Nubank multiplicou por milhares de vezes porque a entrada custou US$ 2 milhões. Se aquele mesmo cheque tivesse sido feito na régua de preço desses exemplos de hoje, com a mesma empresa, o mesmo time e o mesmo resultado extraordinário, o retorno teria sido bom, mas não teria sido histórico. Seria a mesma companhia e o mesmo desfecho, porém um retorno completamente diferente. A variável que mudou não é qualidade do deal, mas o preço.

Marcelo Sato

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Marcelo Sato

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