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Nos anos 90, a maior infraestrutura de educação a distância do Brasil passava de madrugada natelevisão. O Telecurso era exibido de segunda a sexta, no fim da madrugada, num horário escolhido de propósito para pegar o trabalhador antes do expediente. Já formou mais de seis milhões de brasileiros.
Era o estado da arte da distribuição de conhecimento em escala no país, apesar de esbarrar em três limitações que a tecnologia da época não conseguia resolver:
- não havia troca entre o difusor e telespectador,
- não havia feedback e
- não havia flexibilidade de agenda.
O aprendizado era refém da grade horária e de um modelo em que o emissor tinha acertar no tom logo de cara para garantir que o conhecimento fosse transmitido. O ciclo de feedback e produção de novos episódios era longo e complexo.
Naquele momento, eu apostava que a internet substituiria aquela TV de madrugada. Era uma aposta improvável. A internet brasileira ainda engatinhava, e falar em educação online soava mais como experimento do que como mercado. Mas a tese era simples: toda vez que a forma de distribuir conhecimento muda, a estrutura do mercado muda junto.

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